Sintomas Físicos Dolorosos – (Transtornos de Somatizações)
Os pacientes com quadros dolorosos costumam estar deprimidos, embora nem sempre reconheçam isso.Aqui não se trata dos casos de pacientes com quadros dolorosos por quaisquer razões orgânicas, tal como as dores das doenças degenerativas, neoplásicas e que, conseqüentemente, se apresentam com alterações emocionais importantes.
Trata-se, aqui, dos quadros emocionais com sintomas dolorosos sem relação fisiopatológica com alterações físicas. Interessa aqui os casos de pacientes que sentem dores relacionadas a problemas emocionais.
È importante observar que outros transtornos emocionais podem se manifestar inicialmente com sintomas essencialmente somáticos ou físicos. É o caso p. ex., do transtorno depressivo maior ou transtorno de pânico. Esses diagnósticos podem ser responsáveis pelos sintomas somáticos em número bastante expressivo dos pacientes de consultórios médicos.
Aproximadamente 75% das pessoas previamente diagnosticadas com hipocondria estão incluídas no diagnóstico de Transtorno de Sintomas Somáticos. Entretanto, cerca de 25% daquelas com hipocondria apresentam um alto nível de preocupação relacionado à saúde mesmo na ausência de sintomas somáticos, e muitos dos sintomas dessas pessoas não preenchem critérios para o diagnóstico de um Transtorno de Ansiedade
*Transtorno Doloroso Persistente
É uma dor duradoura e crônica, geralmente intensa e não explicável inteiramente como consequência de um processo orgânico ou algum transtorno físico. Isso que dizer que mesmo que haja algum problema físico, como por exemplo, os famosos “bicos de papagaio” atribuídos à dor da coluna , a intensidade da queixa não é proporcional à eventual alteração orgânica. A propósito, só pequena parte dos tais “bicos de papagaio” são dolorosos.
Em geral, ao se avaliar o paciente com Transtorno Doloroso Persistente ou qualquer outro transtorno do grupo somatoforme, percebe-se um contexto de conflitos emocionais e problemas psicossociais importantes e que sugerem fortemente uma relação dos mesmos com a o transtorno doloroso. Existem, outras tantas vezes, uma dor considerada psicogênica e que aparece durante o curso de um transtorno depressivo. Neste caso não deve ser considerada como Transtorno Doloroso Persistente, mas como um componente somático da própria depressão.
As dores de fundo emocional são muito variadas, tanto em relação ao tipo, quanto em relação à intensidade. Muitas vezes são dores curiosas e que desafiam o raciocínio médico.
Alguns pacientes não percebem o aspecto paradoxal e absurdo de suas queixas, como por exemplo, dores que resistem a um analgésico fortíssimo, mas se aliviam prontamente com um analgésico bem suave, do tipo novalgina ou similar.
Infelizmente, não é raro que tais quadros dolorosos sejam interpretados como fantasias dos pacientes ou, pior ainda, como simulação. Esse tipo de desconfiança leiga ou médica mostra má vontade de compreensão, falta de conhecimento ou simplesmente carência de sensibilidade humana. A somatização aparece na medicina em geral e na psiquiatria, em particular, muito mais como um sintoma comum a muitos estados emocionais do que como uma doença específica.
Profissionais da saúde estão familiarizados o paciente que apresenta queixas múltiplas, imprecisas, recorrentes, confusas e difusas. Normalmente começam dizendo “… não sei nem por onde começar doutor.” Essas pessoas costumam se sentir inconformadas com resultados negativos dos muitos exames médicos a que se submetem.
A categoria diagnóstica dos Transtornos Somatoformes ou Transtorno de Somatização abrange uma série de pacientes cujos sintomas correspondem a respostas físicas indicadoras de alterações emocionais e/ou sintomas supervalorizados através de ampliações das sensações corporais.A característica principal do Transtorno de Somatização é a elaboração de múltiplas queixas somáticas, recorrentes e clinicamente significativas,também pode ser considerada clinicamente significativa quando é capaz de causar algum prejuízo no funcionamento social ou ocupacional da pessoa.
No Transtorno de Somatização normalmente há uma história de dor incaracterística e de difícil explicação médica que acomete predominantemente a cabeça, as costas, articulações, extremidades, tórax, e/ou uma história de comprometimento nas funções de órgãos, como por exemplo, em relação às menstruações, ao intercurso sexual, digestão, funcionamento intestinal, etc…… Queixas vagas envolvendo tonturas, falta de ar, palpitações….As queixas do Transtorno de Somatização freqüentemente levam o paciente a muitos exames médicos e mesmo cirurgias exploratórias desnecessárias, até porque essas queixas são formuladas em termos expressivos e relevantes.
Freqüentemente as pessoas portadoras do Transtorno de Somatização têm um histórico de hospitalizações e extensa trajetória médica, muitas vezes buscando tratamento com vários médicos ao mesmo tempo.
Concomitantemente, sintomas proeminentes de ansiedade e humor depressivo são muito comuns, como ditos acima, podendo ser até a razão principal para o atendimento médico.
Os transtornos Depressivos e de Pânico podem estar associados com freqüência a numerosos sintomas físicos e variados e constantes.Quadros dolorosos incaracterísticos, queixas cardíacas e circulatórias que não se confirmam por exames especializados.
Existem queixas digestivas, respiratórias, enfim, queixas que refletem alterações em qualquer sistema ou órgão funcional, mas raramente se confirmam por exames clínicos ou de laboratório.
Assim sendo, os pacientes somáticos são poliqueixosos, apesar de sugestivos de muitos problemas de saúde, os exames médicos habituais não confirmam as queixas. Porém,não se trata de mera imaginação da pessoa,mas sim de um forte componente emocional como fator causador dos sintomas dolorosos.
Os sintomas da somatização variam de intensidade conforme as alterações emocionais, embora a maioria dos pacientes insista em discordar do ponto de vista médico que aponta para a possibilidade psíquica dos sintomas.
A concomitância do Transtorno de Somatização (comorbidade) com outros quadros emocionais tem sido observada em torno de 85% dos casos, com predomínio de transtornos depressivos e de ansiedade.
Uma vez,diagnosticado a causa pelo psiquiatra o tratamento psiquiátrico bem direcionado é capaz de levar a remissão de sintomas dolorosos.

O meu diagnóstico da síndrome do Pânico demorou muito, pois fui acometida no início dos anos 80. Era terrível! Mas, assim que busquei uma ajuda psiquiatra , e segui o tratamento , minha vida nasce de novo.
Sim, nessa ocasião,em (1985) fomos pioneiro aqui em nosso Estado a apresentar o Tema sobre Síndrome do Pânico no Congresso da Associação Médica do Espírito Santo.
Para mim é uma grande alegria ter o Dr. Carlos Henrique Costa como meu médico. Muito contribui para um tratamento de enxaqueca e depressão. Grande estudioso e conhecedor da psiquiatria, em várias áreas do conhecimento humano, me traz sempre segurança e excelentes resultados.
Maria das Graças,muito obrigado pelas palavras elogiosas à meu repeito.